DEUS, NOSSO PAI!

 

* Pr. José Barbosa de Sena Neto

E-mail: pastorbarbosaneto@yahoo.com.br -  Na internet: http://cpr.org.br/prbarbosaneto.htm

 

     Jesus construiu sobre os alicerces do Velho Testamento. Não veio para destruir a Lei e os Profetas, mas para dar-lhes cumprimento. Em Cristo, a Lei e os Profetas encontram a plenitude. Como o escriba versado no Reino de Deus, de que nos falou Jesus, soube Ele próprio tirar do seu depósito coisas velhas e novas.  No ensino sobre Deus, Jesus abandonou os sistemas panteístas e politeístas que floresciam nas antigas nações orientais e adotou como base de Seu ensino a concepção judaica de Jeová, como único Deus Todo-Poderoso, Criador e Senhor de todas as coisas. A doutrina de Jesus sobre Deus é o monoteísmo ético da religião israelita, enriquecido e elevado. Deu ênfase à espiritualidade e santidade de Deus, de que nos falaram os profetas judaicos.

 

   Jesus não se preocupou em definir Deus, mas em mostrar como Ele age. Seu ensino longe está de ser abstrato e frio, mas é concreto, prático e vital. Jesus não ensinou teoricamente que Deus é Pai, mas admitiu esse fato, viveu nessa certeza e nos inspirou a confiar nesse Deus, que está sempre presente e cuida de nós.

 

   Duas palavras são mais freqüentemente empregadas na Bíblia para designar a Deus, a saber: rei e pai. No VT, embora apareça  a idéia de Deus como Pai, o conceito dominante é de Deus como Rei. O rei ideal não era o déspota, como nos povos pagãos, mas o governador que incorporasse o cuidado  de Deus com os seus filhos. Por essa razão, muitos salmos expressam a glória de Deus em termos de coroação de rei humano, porque o rei era o representante de Deus na terra. Davi tornou-se a personificação de tudo que era mais reverenciado no Reino, embora não descendesse de linhagem real, pois a sua origem era humilde e Deus poderia dizer dele: “Eu te tomei da malhada, de detrás das ovelhas, para que fosses o soberano sobre o meu povo, sobre Israel”( II Sm 7.8; I Cr. 17.7).  Davi sempre foi um rei pastor. Embora em seu longo reinado, algumas vezes se desviasse dos caminhos da moralidade e da verdade, nunca se esqueceu que era ministro,  servidor do  seu povo, que sempre lhe mereceu cuidado. Os homens necessitam de Deus como pai, rei no sentido bíblico, que exerce governo pastoral, merecendo assim nosso respeito e devoção.

 

   A outra grande palavra bíblica para designar Deus é Pai. A paternidade de Deus que a Bíblia nos ensina não é conseqüência de um direito legal sobre o homem, porque Deus o criou,  mas é uma atitude ética e religiosa, que O leva a agir com todos os homens como um pai para com os seus filhos.  A paternidade de Deus é sem limite! Os homens somente sentem essa verdade quando se voltam para Deus como filhos; mas é bom notar que as nossas faltas  e deslizes morais não mudam a mente paternal de Deus.  Os Evangelhos Sinópticos ensinam que a providência e o amor universais de Deus estão sobre a face da terras, quando registram: “... Ele faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e envia chuva sobre justos e injustos”(Mt. 5.45). e o quarto Evangelho dá ênfase à mesma verdade, afirmando: “... Deus amou o mundo de tal maneira...”(João 3.16).

 

   Embora Jesus falasse muito em “Reino de Deus”, preferiu a palavras Pai para designar a Deus. O termo pai aparece cerca de vinte e oito vezes no VT, referindo-se a Deus, assim mesmo com o sentido  restrito de  pai de um grupo, como Israel. Os Evangelhos falam em Deus como Pai cerca de cento e cinqüenta vezes e o NT emprega aproximadamente trezentas vezes a palavra Pai para designar a Deus.

 

   Como se vê, Jesus não usou nova terminologia, mas deu aos velhos termos novo sentido. Com pitorescas parábolas, com declarações luminosas e sobretudo com a Sua atitude, Jesus ensinou com ênfase que Deus é Pai! Ele nos ensinou a orar assim, dizendo: “Pai nosso que estás nos céus...”(Mt. 6.9).  Deus é Pai de Jesus Cristo.  A relação existente entre Jesus e Deus é de origem, essência e eternidade. Os homens se tornam filhos de Deus (João 1.12), mas Jesus é o Filho! Nós somos filhos de Deus, por adoção (Gál. 4.5; Ef. 1.5), Jesus o é por natureza! (Sal. 2.7; Mt. 1.20; Hb 1.5; 5.5). O evangelista registra as seguintes palavras de Jesus: “Pai, aqueles que me deste quero que,  onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste; porque tu me amaste antes da fundação do mundo” (João 17.24). O Evangelhos revelam que Jesus é Filho de Deus, num sentido único, exclusivo, que reflete a Sua própria divindade.

 

   Por ocasião do batismo de Jesus, os céu se abrem, o Espírito Santo desce em forma de pomba e se ouve uma voz: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt. 3.17; Mc 1.11;  Lc 3.22).  Na tentação, quando Satanás  lhe diz: “Se tu és o Filho de Deus manda que estas pedras se tornem em pães” Jesus não nega que seja Filho de Deus, mas corrige a insinuação diabólica, nestes termos: “Nem de só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus”(Mt. 4.3-4).  A grande confissão de Pedro, que não foi fruto da carne e do sangue, mas uma revelação do Pai que está nos céus, é  a seguinte: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”(Mt. 16.16; João 6.69).  No Monte da Transfiguração, Jesus foi envolvido por uma nuvem  luminosa e uma voz que vinha da nuvem dizia: “Este é o meu filho amado; a ele ouvi”(Mc. 9.7;  Lc. 9.35). Marcos escreveu em grego, mas o seu pensamento e linguagem  refletem as idéias do Velho Testamento.  A palavra filho, em hebraico, tem conteúdo  muito mais amplo do que em nossa linguagem. Entre os vários sentidos a palavra filho, há o de íntima semelhança! Quando os hebreus queriam dizer que uma pessoa era rebelde, chamavam-na de “filha rebelde”( Jr. 49.4).

 

   O próprio Jesus falou de “filhos da luz”(Lc  16.8)  e “filhos do maligno”( Mt. 13.38). Certas são como lâmpadas; outras, como escuridão. Assim, quando Marcos registra que Jesus foi chamado de “Filho de Deus, não somente quer dizer que veio de Deus, mas que é o próprio Deus. Se quisermos conhecer a Deus, olhemos para Jesus! A vida, o caráter e os ensinos de Jesus nos revelam o verdadeiro e único Deus!  

 

 

* Foi sacerdote católico romano durante 22 anos consecutivos e é autor do livro ‘Confissões Surpreendentes de um ex-Padre”.

acerdote católico romano durante 22 anos consecutivos e é autor do livro ‘Confissões Surpreendentes de um ex-Padre”.