SERÁ O BENEDITO, SHÔ?!...

 

* Pr. José Barbosa de Sena Neto

E-mail: pastorbarbosaneto@yahoo.com.br -  Na internet: http://cpr.org.br/prbarbosaneto.htm

 

Em artigo anterior, teci alguns comentários sobre o real objetivo da vinda do Papa Joseph Ratzinger ao Brasil, a qual seria para tentar a todo custo deter a revoada de seus ‘fiéis’ católicos em debandada às igrejas evangélicas, sejam elas tradicionais ou não.

 

É bem verdade que a imprensa noticiou com bastante antecedência, sobre as ‘costuras’ que o Vaticano estava tentando fazer com o governo federal, não levando em consideração a laicidade do estado brasileiro, querendo a todo custo impor ao povo brasileiro o ensino religioso sob orientação católica, quando o Brasil não é mais o maior país católico do mundo. Os tempos mudaram. O Evangelho está sendo pregado aos quatro cantos do nosso país, e os segredos das sacristias já não são mais do desconhecimento público.

 

Hoje o Brasil tem uma população aproximadamente de 139,3 milhões de pessoas, mas apenas 74% da sua população se dizem católicas. Mas, a grande realidade é apenas 33% dos que se assim declaram, ou seja, apenas 46 milhões de pessoas de nossa população freqüentam alguma paróquia católica, mas sem nenhum compromisso autêntico. E muitos daqueles que se dizem católicos estão envolvidos com algum tipo de feitiçaria... O mais curioso é que um dos nossos estados mais atrasados em todos os aspectos, o Piauí, é o que reúne a maior população católica brasileira! Todas as estimativas do número esperado de pessoas para assistirem ao suposto “vigário de Cristo” foram constatadas pela metade, deixando transparecer que a Igreja de Roma está em declínio vertiginoso em nossa pátria. Esta é a grande realidade do assim-chamado “Brasil católico”.

 

O Papa Ratzinger – o significado de seu sobrenome é “o rato que canta” – veio com a mensagem que já se esperava: retrograda, com mão de ferro, sem aquele carisma de seu antecessor. Veio com o moralismo de gaveta de sempre, esquecendo-se o suposto ‘sucessor de Pedro’ e ‘vigário de Cristo’, que nenhuma moral há em sua igreja para falar o que falou, quando o mundo inteiro sabe do encobrimento de carta marcada de seus milhares de padres pedófilos e homossexuais declarados, os quais são hoje o maior problema e vergonha da Igreja de Roma. Tais ‘ministros’ são acobertados pela força do assim-chamado ‘sacramento da ordem’, que é, segundo a filosofia da teologia católica, maior que o homem e seus atos.

  

Se tal não bastante, ficou a olhos nus o luxo de ‘sua santidade’ por aonde passou e onde esteve hospedado! E grande parte dessa ostentação paga com o dinheiro público, com o meu e o seu dinheiro! Ovacionado por uma multidão de desorientados, sentiu-se “sua santidade” como um deus!

 

Os prelados tupiniquins ficaram de bocas amordaçadas diante de tanto luxo, de tamanha ostentação, levando o bispo emérito de Goiás e conselheiro da Comissão Pastoral da Terra, dom Tomás Balduíno desabafar: “Tanta comida, tanta bebida, tanta renda, tanto luxo... Isso tudo é um contra testemunho. Vai contra o testemunho de Jesus Cristo, que nunca se deixou tratar como rei. Quando entrou num palácio, foi para ser chicoteado”. 

 

Para a missa no Campo de Marte foi colocado nas mãos do suposto ‘vigário de Cristo’ um cálice em ouro, prata e bronze, no valor de R$ 3.500,00. A casula, vestimenta sacerdotal que o celebrante católico romano põe sobre a túnica branca e a estola, apenas o bordado do paramento que faz uma referência à bandeira brasileira, consumiu cerca de 15 km de linhas de ouro e prata. A produção da casula foi fruto de uma parceria entre uma empresa de Santa Catarina que confeccionou as roupas dos cardeais e dos bispos, a Arte Sacro, e a belga Slabbinck, a qual confecciona artigos religiosos do mundo inteiro.

 

Segundo o designer Thiago Benchaya, foram usados apenas para a casula de “sua santidade” 20 metros de tecidos belgas, que pesa aproximadamente 1,2kg. O corpo do paramento é composto em 99% por lâ fria e 1% de lurex ouro, levando 17 pessoas trabalharem na confecção dessa roupa e só bordado feito em máquina industrial consumiu nada menos que 12 horas!

 

Para a confecção dos paramentos dos 500 cardeais e bispos presentes, foram gastos 60 dias de trabalhos, envolvendo 45 pessoas. A empresa consumiu nada menos do que 6 km de tecido belga e os funcionários tiveram que fazer duas horas extras por dia para dar conta das 2.500 mil vestimentas – 500 para cardeais e bispos e 2 mil para padres para tão-somente uma única celebração.

 

A visita do chefe do Vaticano gastou pelo menos em torno de R$ 20 milhões de reais, para custear entre muitos outros itens, a segurança de “sua santidade”, as ambulâncias, postos de saúde e hospitais para a comitiva, as obras na Basílica de Aparecida, a preparação e ornamentação do Campo de Marte, no Seminário Bom Jesus (só aqui onde o Papa Ratzinger dormiu as duas últimas noites foram gastos R$ 6 milhões de reais!) e na Fazenda Esperança, o recapeamento de ruas e a construção de um reservatório de água em Aparecida, os folhetos das missas, a alimentação, as vestes acima já mencionadas, as hóstias, vinhos os mais caros e da melhor qualidade, incluído a hospedagem dos cardeais e bispos que participaram do encontro com o Papa Ratzinger.   

 

O mal-estar foi geral, deixando a cúpula prelatícia querendo justificar tantos gastos. “È a visita de um chefe de Estado”, sai na defesa Dom Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo, referindo-se ao fato de Bento XVI ser o mandatário do Vaticano, o menor país do mundo. 

 

“Disse Jesus: ‘ As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça” (Mateus 8.20). Não nos esqueçamos deste contraste! Jamais!

 

* Foi sacerdote católico romano durante 22 anos consecutivos e é autor do livro ‘Confissões Surpreendentes de um ex-Padre”.

e católico romano durante 22 anos consecutivos e é autor do livro ‘Confissões Surpreendentes de um ex-Padre”.