A Igreja Evangélica e a mudança dos homossexuais
João Luiz Santolin
A Igreja Evangélica e a Mudança dos Homossexuais*



Por serem firmes em sua postura bíblica e por ajudarem os que se convertem ao evangelho de Jesus Cristo e lutam para deixar o homossexualismo, muitos crentes são taxados de homofóbicos (os que têm repugnância a homossexuais) pela militância gay. Uma fobia, de acordo com a Associação Americana de Psiquiatria (APA), é definida como um temor ou medo irracional de um objeto ou atividade, levando a pessoa a evitar significativamente o objeto temido.



Segundo a compreensão de Joe Dallas, se todos fossem homofóbicos como garante a militância, ao ver um homossexual, deveríamos ficar agitados, com a respiração mais rápida, quase não suportando a presença de um homossexual, mesmo que por pouco tempo. A verdade é que quase ninguém reage assim. Portanto, é improvável que a pessoa acusada de homofobia seja realmente homofóbica. Para que fosse, de acordo com a APA, a pessoa deveria ter medo de homossexualismo ou de homossexuais, fazendo tudo para evitar a ambos.



O que a maioria tem (e que os ativistas gays não aceitam) não é homofobia nem preconceito. É convicção. No entendimento de Dallas, convicção é a certeza obtida de fatos e razões que não deixam lugar para dúvidas ou objeções. Para ele, é plenamente possível ter uma posição firme em relação ao homossexualismo sem, contudo, ter preconceito ou fobia.



É muito importante esclarecer que devemos ser absolutamente avessos a toda demonstração de violência contra qualquer pessoa, inclusive os homossexuais. Precisamos ser equilibrados, firmes contra as práticas gays, mas acolhendo e conduzindo os homossexuais a Cristo. Aqueles, porém, que são mais recalcitrantes devem ser objeto da compaixão e do amor cristão. Segundo uma recente pesquisa americana, a maioria dos homossexuais - homens e mulheres - deseja abandonar este comportamento, mas não sabe como. Por isso, precisam ser acolhidos, respeitados como indivíduos e conduzidos ao conhecimento de Cristo.



Apesar da questão homossexual ainda ser rodeada de preconceitos, a Igreja Evangélica está conscientizando-se do papel concreto que deve exercer. Muitas igrejas, inclusive as presbiterianas, têm apoiado os ministérios de evangelismo e ajuda aos que estão deixando o homossexualismo. Todo ano, alguns congressos têm sido realizados por estes ministérios, como o que aconteceu em Londrina, PR, em março de 2000. O evento contou com a presença de mais de 100 pessoas, inclusive pastores de vários estados.



Dentre as muitas bênçãos recebidas e testemunhadas pelos participantes, destacam-se as confissões que muitos pastores - outrora intolerantes no que diz respeito aos homossexuais - fizeram aos líderes de ministérios no próprio evento. Depois de uma das mensagens do preletor Bob Reagan (ligado a Exodus e ao Regeneration Ministry, nos EUA), pastores e líderes foram ao altar para uma oração de arrependimento e confissão, como o pecado de omissão ou rejeição aos homossexuais que buscavam ajuda em suas igrejas.



Mas os pastores não foram os únicos a buscarem o perdão de Deus e a compaixão pelos que estão sofrendo com o homossexualismo. Os participantes que haviam vivido o homossexualismo e foram rejeitados por suas igrejas ou famílias também pediram perdão por terem guardado mágoas contra pastores, igrejas e suas famílias. Muitas lágrimas foram derramadas por ambos.



O depoimento do advogado e pastor presbiteriano Saulo de Melo - pastor há 33 anos - reflete muito bem a mudança que a igreja e a própria liderança evangélica começa a vivenciar quando o assunto é homossexualidade. Presente no congresso e com lágrimas nos olhos, ele fez uma declaração comovente aos líderes de ministérios de apoio a ex-homossexuais:



“Estou perplexo com tudo o que estou aprendendo sobre homossexualidade neste congresso. Todos os meus valores foram remexidos. Quando eu descobria que alguém era homossexual, eu o mandava embora, excluía. Este congresso ajudou-me a olhar os homossexuais como nunca os havia olhado antes - com o olhar de Jesus.”



Muitos crentes têm tido experiências edificantes quando se dispõem a evangelizar e ajudar os homossexuais. O que ocorreu com Eleny Vassão, escritora e capelã evangélica do HCFMUSP e do Instituto de Infectologia Emília Ribas, em São Paulo, é apenas um exemplo da preocupação e do amor de Deus pelos homossexuais:



“Eu enfrentei relutância ao evangelizar um travesti pela primeira vez. Mas o Espírito Santo me mostrou que a única diferença entre mim e o travesti era Jesus. No outro dia eu contei ao travesti a experiência que tinha vivido. Não demorou muito e lágrimas encheram seus olhos. A seguir, ele orou entregando sua vida a Jesus. Essa experiência marcou minha vida: eu passei a amar e compreender os homossexuais sob uma nova perspectiva.



“A Igreja deve ser o lugar de perdão e acolhida para seus soldados feridos, e não um tribunal para julgar os que caíram. Precisamos de mais misericórdia e graça para tratar as pessoas como os Senhor nos trata. Ele nos constrange pelo amor, mesmo sem perder de vista a sua justiça.”



É importante lembrar, ainda, uma desafiadora reflexão de Joe Dallas - ele foi um dos líderes da maior denominação gay americana (a Metropolitan Community Church) -, sobre a atitude da Igreja para com aqueles que desejam deixar o homossexualismo:



“Entretanto, quando eles são trazidos para fora da ilusão, quem está esperando por eles? A igreja está sendo como o pai do filho pródigo, correndo para encontrá-lo no meio do caminho e celebrar o seu retorno? Ou será que o corpo de Cristo está sendo melhor representado pelo irmão mais velho, justo em si mesmo, distante e frio, que não quer se envolver? Ao abordar o problema do homossexualismo, talvez essas sejam as perguntas mais importantes a serem feitas.”



Certamente, não poderíamos terminar esse capítulo sem registrar, também, a experiência de pelo menos uma pessoa ajudada por conselheiros cristãos a deixar o comportamento homossexual. E. M., 34 anos, ao converter-se a Cristo e ser ajudado pelo Movimento pela Sexualidade Sadia (MOSES) a conhecer mais a Deus e deixar o comportamento homossexual, passou a ser alvo da perseguição de seu antigo parceiro, com quem comprou um apartamento e viveu por 10 anos. É ele mesmo quem conta as lutas e a maravilhosa vitória que teve:
“Depois de muita oração e jejum, meu ex-parceiro também entregou sua vida a Jesus Cristo e me deu de presente de casamento a parte dele no apartamento. Ele havia me colocado na justiça para ficar com tudo. Agora estou muito feliz com minha esposa e minha filha. Deus mudou completamente minha vida. Não quero jamais voltar para aquela velha vida. Hoje sou nova criatura e quero viver somente para Jesus e para minha família."



João Luiz Santolin (Coord. do MOSES)*
o viver somente para Jesus e para minha família."



João Luiz Santolin (Coord. do MOSES)*