|
As duas
vergonhas da marcha do orgulho gay
|
|
João Luiz Santolin
|
| As duas vergonhas da Marcha do Orgulho Gay
(ano 2000) Mais uma vez a equipe do Moses evangelizou na Marcha do Orgulho Gay. Esse ano a data da marcha no Rio foi alterada para dois de julho, enquanto São Paulo manteve a data tradicional (o orgulho gay é comemorado do último domingo de junho em todo o mundo). A razão da mudança da data, segundo a afirmação de alguns militantes, seria o intercâmbio entre os dois estados para maior visibilidade política. Segundo os jornais, cerca de 100 mil pessoas invadiram a Av. Paulista, em São Paulo, para a comemoração. Artistas como Elke Maravilha, Gabriela Alves, Maria Alcina e Marina Lima e políticos como o deputado José Genoíno (PT-SP), Marta Suplicy (candidata à Prefeitura de São Paulo e autora do projeto de parceria civil entre homossexuais), o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), o deputado Marcos Rolim (PT-RS) muitos travestis fantasiados, muitos gays, lésbicas e simpatizantes lotaram a Av. Paulista e suas calçadas com faixas, cartazes, cerca de dez carros alegóricos, trio elétricos pedindo a aprovação da união civil de homossexuais e o fim da discriminação. Toda essa “festa” culminou com um show, às 18h, do cantor Edson Cordeiro - ex-evangélico e homossexual assumido -, na Praça da República, onde, em fevereiro desse ano, os Carecas do ABC mataram o homossexual Edson Neris da Silva, 35 anos. Em São Paulo, esse evento gay contou com o patrocínio da iG (internet grátis), Governo do Estado de São Paulo, Secretaria de Estado da Cultura, Museu da Imagem e do Som, Ministério da Saúde e Governo Federal, entre outros. Milhares de panfletos com “informações responsáveis” sobre homossexualismo e lesbianismo, eventos e boates gays e panfletos políticos eram distribuídos para os militantes e curiosos que assistiam das calçadas e da frente de seus condomínios. Milhares de preservativos choviam dos carros alegóricos. Já no Rio de Janeiro onde, segundo militantes, haveria 10 mil pessoas, a comemoração contou com cerca de duas mil pessoas. Nossa equipe constatou que foi a marcha mais vazia desde que participamos pela primeira vez (é a quarta vez que evangelizamos na Marcha do Orgulho Gay carioca). A primeira vergonha foi constatar, em São Paulo, o amontoado de pecados e afrontas contra os planos de vida e paz que Deus tem para os seres humanos. Travestis seminus e rapazes esculturais (que fazem streep-tease em boates gays) fazendo gestos sensuais e obcenos nos carros alegóricos e no asfalto, famílias inteiras aplaudindo a “alegria e criatividade” dos gays, crianças muito pequenas acenando as bandeiras do arco-íris (símbolo internacional do movimento gay) que recebiam dos militantes, discursos políticos com apoio irrestrito a todos os atos e projetos homossexuais. Sem sombra de dúvida, foi um dos dias do ano em que São Paulo mais pecou. No Rio, só um carro alegórico levava alguns travestis e dois ícones do movimento gay: o travesti Laura de Vison e a drag-queen Isabelita dos Patins. Elke Maravilha discursava sobre a “importância” da “mãe natureza” ter criado os homossexuais e Carlos Minc era aplaudido porque seu projeto de Lei anti-discriminação sexual foi sansionado pelo Governador do Rio Anthony Garotinho, no último 15 de maio. Foi grande a frustração dos organizadores da Parada Gay do Rio quando perceberam o número inexpressivo de militantes e, também, porque eles não gritavam a palavra de ordem da marcha: É legal ser homossexual! Mas a maior vergonha do evento carioca foi mesmo a abertura, quando o “pastor” Nehemias Marien discursava. Disse que o homossexualismo é um “artesanato de Deus”, que Davi e Jônatas tinham um relacionamento homoerótico e, por duas ou três vezes, terminou suas frases “abençoando” os presentes em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. A segunda vergonha foi constatar, em São Paulo, a indiferença da igreja evangélica numa tão grande oportunidade de expressar o amor de Deus pregando a salvação e o arrependimento aos perdidos. Um mês antes milhares de evangélicos se uniram na Marcha para Jesus. E por que não estar na Marcha do Orgulho Gay para falar de Jesus, quando o próprio Senhor falou que deveríamos pregar o evangelho a toda criatura? (Mc 16.15) Será que a igreja evangélica está com a mentalidade do pastor esclarecido e de uma denominação séria do Rio que disse que não ia orar com sua igreja pelo evangelismo do Moses porque “aquilo não é lugar de crente estar”? Qual é o lugar de crente estar se a Bíblia mostra que Jesus conversava e comia com pecadores? No Rio, o trabalho do Moses foi bem rápido, pois havia muitos irmãos distribuindo os folhetos e poucas pessoas para receber. Mas em São Paulo havia pouquíssimos irmãos: oito pessoas com o Moses, alguns poucos também com a Missão Cena, um servo de Deus distribuindo folhetos e, talvez, mais alguns crentes que não tenhamos visto. Levamos sete mil folhetos e só conseguimos distribuir cinco mil, mesmo tendo trabalhado nas três horas de Marcha, porque faltava gente para trabalhar. Ao final da Marcha estávamos com os olhos marejados de ver tanto pecado e perceber a inércia da igreja evangélica nessa questão. As palavras de Liane França, vice-presidente do Moses, traduzem bem o que sentimos: “Tive vontade de cair de joelhos em meio à marcha e pedir perdão a Deus pelos pecados do povo, como fez Neemias, mesmo não estando ele envolvido com aquelas transgressões, e pela indiferença da igreja evangélica.” Além da alegria que enchia nosso coração por tudo o que Deus nos proporcionou fazer, um pensamento atravessava nossas mentes quando, antes de voltar para o Rio, oramos com o pastor Paulo Cappellette (presidente da Missão Cena) e sua equipe na sede da Missão Cena: A igreja precisa sentir mais compaixão pelos perdidos e, na prática, revelar Cristo a eles. *João Luiz Santolin (Coord. do Moses) |